Os cães que infernizam a vida dos vizinhos
13/04/2009
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Valente era o rei do elevador. Latia sempre que a porta se abria e alguém tentava entrar. O comportamento pouco amistoso do labrador já botava medo nos moradores – e constrangia seus donos. De uns tempos para cá, Valente tem se tornado um animal exemplar. Não late e não pula. As aulas de adestramento estão fazendo bem a ele. Mas a preocupação com os modos das mascotes ainda é pouco comum. Conflitos envolvendo cachorros estão no topo da lista das reclamações dos condomínios.O mau comportamento no elevador, os latidos agudos, os passeios pelas áreas comuns e o xixi na garagem tiram o sono de muitos moradores. A tendência é que se tornem ainda mais comuns. Há dez anos, a proporção era de um cão para cada 12 apartamentos. Hoje, é de um para três.
Especialistas garantem que o direito de ter animais nos apartamentos é assegurado pela Constituição, mas há exceções: os cachorros não podem representar ameaça aos demais moradores nem descumprir as regras estabelecidas em acordos coletivos.
A cadela Layla (foto abaixo) ganhou o direito de caminhar com as próprias patas pelo condomínio. O empresário Márcio Nascimento, seu dono, entrou na Justiça alegando não poder carregar a fêmea de labrador de 43 quilos. O síndico recorreu e fez prevalecer o regimento interno. A sentença determinou que Layla seria banida do condomínio se não transitasse no colo do dono. Querida pelos vizinhos, a cadela gerou comoção. Na última assembleia-geral de moradores, por maioria, foi decidido que Layla fica – pode ir e vir na guia.
A dica para evitar conflitos no condomínio é se antecipar aos problemas. “Se você comprou um filhote, passe um comunicado dizendo que ele pode chorar nos primeiros dias”, afirma a adestradora Daniela Prado, da LordCão. “E, dentro do prédio, ensine o animal a ignorar os outros moradores. Saia e entre rapidamente com seu cachorro.”
Se você é vítima do cão do vizinho, a tarefa será mais difícil. Tente primeiro conversar com o dono. Se não der certo, leve a queixa ao síndico. Sobretudo, torça para que o bicho não seja um poodle fofinho capaz de encantar os vizinhos na reunião de condomínio.
Fonte: Revista Época - Edição: Luciana Vicária
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Comentários (2 publicado)
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Publicado em Adriano Abreu, 23/04/2009Boa reportagem, pois parece que finalmente o ser humano passa a entender que ele, a espécie mais egoísta desse planeta, pode conviver com outras de forma harmônica. Não podemos esquecer que a coletividade é importante, mas viver harmonia é saber compreender o outro, mesmo que ainda não possamos entender a sua linguagem. O otimo administrador é aquele que consegue fazer sumir estas diferenças. Eu respeito qualquer forma de vida, principalmente aquelas que não sabem se defender.
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Publicado em Artur S Maciel, 20/04/2009Muito boa a matéria. Seria interessante que os donos desses animais se colocassem na pele do síndico ou de outros moradores que possam não suportar tanto barulho de latido e uivos a qualquer momento. Uma pena que alguns condôminos não se preocupem com os fatos e deixem seus lalaus latirem. Por que não adestrá-los? Evitar-se-á muitos constrangimentos.


