Combate ao Aedes aegypti exige esforço coletivo

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image Verão. Estação que é sinônimo de praia, calor e diversão, certo? A realidade não é bem essa, principalmente quando o assunto é a dengue. No último verão, o Rio de Janeiro sofreu com um surto da doença no estado. Não foi à toa que as raquetes que matam mosquitos com uma descarga elétrica viraram febre no verão passado e, hoje, podem ser encontradas em qualquer esquina.

Após essa epidemia, a população e os órgãos governamentais começaram a encarar o combate à doença como prioridade e passaram a adotar medidas para que esse mal não volte a atingir a região. Além das campanhas de conscientização, é fundamental que cada um faça sua parte. O secretário de Estado de Saúde e Defesa Civil, Sérgio Cortes, ressalta a importância da mobilização dos condomínios no combate contra a dengue.

“A mobilização de todo condomínio é fundamental para que a gente consiga controlar a dengue. Nós precisamos desse espírito de coletividade que só os moradores reunidos têm. Um exemplo prático: temos, em um mesmo condomínio, dois vizinhos bem diferentes. Um é cuidadoso, faz a prevenção contra os criadouros do mosquito, não deixando água acumular em reservatórios. O outro não toma as devidas precauções. O mosquito criado na casa do vizinho descuidado vai acabar picando o que tomou as providências que a gente recomenda. Por isso, os síndicos são parceiros importantes para mobilizar todos os condôminos”, explica Cortes.

O resultado do último levantamento do Índice Rápido de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa) mostra que bairros como Coelho Neto, Complexo do Alemão, Brás de Pina, Abolição, Água Santa, Jacaré e Ilha do Governador apresentam taxas até duas vezes acima do limite considerado como de estado de alerta para focos do mosquito transmissor da dengue. Mas também existem regiões com índice bem menor. Exemplo disso é Benfica, Urca, Leme, Leblon, Gávea, Catete e Laranjeiras.

Segundo a pesquisa da Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil - que mostra o índice de infestação de larvas do mosquito numa determinada região - , entulhos, garrafas, recipientes plásticos, latas e sucatas abandonadas, além de vasos de plantas e caixas-d´água destampadas, continuam a ser os maiores problemas para evitar a proliferação do vetor. A coleta de dados foi realizada por agentes de endemias do município, entre os dias 13 e 18 de outubro de 2008, em todos os bairros do Rio.

A dengue é uma virose transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. A infecção pode ser causada por qualquer um dos quatro tipos (1, 2, 3 e 4) do vírus da dengue. Em geral, os sintomas são: febre alta, dor de cabeça e muita dor no corpo. São comuns, também, a sensação de intenso cansaço, a falta de apetite, náuseas e vômitos.

Jorge Carrasco, 24 anos, contraiu a doença em setembro de 2008. O jornalista mora no condomínio Jaqueline, em Copacabana - bairro considerado de risco pela Secretaria de Saúde. Na época crítica, no início do ano, ele chegou a receber uma mensagem por telefone que informava os cuidados para prevenir a proliferação do mosquito e os altos índices de registro da doença naquela região.

“Nunca tinha sido infectado. Por isso a surpresa foi grande, já que considerava que as chances de contrair a doença fora de época seria menor. Os primeiros sintomas foram dor no corpo e muito enjôo, não conseguia mais ficar em pé. Saí do trabalho e fui para o hospital. Lá, a suspeita de dengue foi constatada. A dor no corpo era tanta, que eu não conseguia levantar da cama. O médico me passou uma lista de cuidados, entre eles beber muito líquido. Fiquei surpreso de ser dengue, já que não estamos no verão e em época de epidemia”, conta o jornalista, que teve que se ausentar do trabalho por uma semana.

De acordo com Cláudio Mesquita, gerente técnico da Insetisan, com a proximidade do verão, as solicitações aumentam por parte dos condomínios. “Esse período é o mais crítico, pois há maior incidência de chuvas e o aumento de áreas alagadas, formando, assim, inúmeros berçários naturais e artificiais para o desenvolvimento das larvas do mosquito. O ovo do Aedes aegypti, por exemplo, pode resistir em áreas secas por mais de um ano, e quando chega a época das chuvas, o contato da água com esse ovo faz com que ele retome imediatamente seu processo de desenvolvimento”, esclarece o gerente técnico.

A Insetisan disponibiliza um serviço de controle de mosquitos de um modo geral, entre eles o Aedes aegypti, principal vetor de transmissão da dengue. Esse serviço é oferecido somente a condomínios, indústrias, empresas, hotéis e outros locais onde haja uma área mínima necessária para que o controle seja efetivo.

Para evitar a proliferação de novos mosquitos transmissores da dengue, é recomendado não deixar qualquer objeto que possa acumular água exposto à chuva. Recipientes com água devem ser cuidadosamente limpos e tampados.

Mário Sérgio Ribeiro, gerente de Risco Ambiental da Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil, dá as dicas: “Verificar as áreas comuns do edifício, com atenção a todos os locais que podem acumular água (fosso do elevador, cisterna, caixa-d'água, ralos de águas pluviais, ralos e sanitários dos apartamentos vazios, piscina etc.), e mobilizar os moradores para ter atenção a seus apartamentos quanto à possibilidade de criadouros no intradomicílio são medidas eficazes”, orienta o gerente de Risco Ambiental.

Mário chama a atenção ainda para a dificuldade que os agentes de combate à dengue enfrentam nas visitas aos condomínios. Segundo ele, há resistência quanto à permissão para realização do serviço de controle de criadouros. “É importante uma articulação com a coordenação do programa municipal de controle da dengue para saber a agenda das visitas, pois isso reduziria a preocupação com a violência, facilitando a entrada dos agentes”, acrescenta.

Há quatro anos, Américo Mendonça Bezerra é administrador do condomínio Residencial Rosas e do condomínio Residencial Dálias - que, juntos, formam a Chácara Itaguaí, em Niterói. Segundo ele, os condomínios são visitados pelos agentes de combate à dengue quase todo mês. A Chácara Itaguaí possui uma área comum grande e com um jardim extenso.

“A primeira atitude no combate à dengue foi a remoção das bromélias do jardim. Tínhamos muitas bromélias, mas como elas podem acumular água, retiramos todas elas do condomínio. Jogamos larvicida em todos os ralos e valas das áreas comuns. Também não temos vasos de planta com pratos, que seriam prováveis focos de mosquito da dengue. Nós fazemos armadilhas com garrafas PET e grãos de arroz. Essas armadilhas são espalhadas por diversos pontos do condomínio. Realizamos, também, um trabalho interno de conscientização com os condôminos”, conta Américo.

Andréa Hijjar, especialista em saúde pública e gerente do Departamento Técnico da Saneamento Ambiental Projetos e Operações Ltda. (Sapo), orienta para que o controle de mosquitos seja feito de forma contínua e permanente.

“Além do controle dos mosquitos adultos com a aplicação de ‘fumacê’, é imprescindível realizar o controle das formas jovens (larvas e pupas). Não adianta matar apenas adultos e não eliminar os criadouros, pois outros mosquitos nascerão. Os condomínios devem manter um programa efetivo de controle de mosquitos, incluindo atividades de monitoramento que permitam intensificar as ações de controle logo que constatado o aumento na incidência de mosquitos”, orienta a especialista.

Andréa Hijjar alerta que, no Rio de Janeiro, os serviços de controle de pragas são realizados por empresas especializadas devidamente registradas na Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema). Serviços oferecidos por pessoas físicas e empresas não registradas na Feema são ilegais.

As dicas foram dadas e as possíveis dúvidas, elucidadas. Agora é cada um fazendo sua parte. Não deixe o mosquito da dengue fazer a festa em seu “quintal”! É hora de voltar a associar o verão à água do mar, e não à água parada.


Fonte: Condomínio & Etc. - Por Gabriel Castelo Branco





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