Reciclagem, uma questão de sobrevivência do planeta
20/01/2009
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O lixo é um problema mundial, pois a capacidade da Terra de absorver resíduos está cada vez mais comprometida. “Se cada ser humano colaborar, o mínimo que seja, para a preservação da natureza e do meio ambiente, haverá uma razão para colocarmos filhos e netos no mundo. Nossos recursos naturais, ao contrário do que se pensa, são finitos”, afirma a analista ambiental Elizabeth Sarmento, síndica do edifício Bokor, em Laranjeiras.Além de Elizabeth, outros dois síndicos têm histórias de sucesso no ramo da reciclagem: Marcelo Sampaio, do City Hall Business, em Niterói, e Carlos Augusto Bastos de Oliveira, do Visconde de Albuquerque, na Barra da Tijuca. E é com um eficiente trabalho de formiguinha que esses três síndicos dão o exemplo, reduzindo o impacto do despejo de dejetos no planeta. Que tal se mirar neles?
A coluna Ecodicas CIPA é um espaço desta revista que faz parte do programa de sustentabilidade lançado pela CIPACIPA, direcionado aos condomínios administrados por ela, aliás, o primeiro programa desse gênero em ação no Rio de Janeiro. Ele consiste em orientar moradores, funcionários e síndicos para que busquem a preservação, a conservação e a recuperação do meio ambiente, indicando e apresentando ações práticas e úteis. Aproveite e entre na onda ecológica! Vamos aos três casos de sucesso.
Recicletário: invenção que dá certo
No edifício Visconde de Albuquerque - um dos blocos do Atlântico Sul, na Barra da Tijuca -, os funcionários e as empregadas domésticas são os principais aliados da política de reciclagem, implementada há um ano e meio pelo síndico Carlos Augusto Bastos de Oliveira. Lá, tudo que pode ser reaproveitado é separado e encaminhado a um depósito, batizado de Recicletário. O montante arrecadado na coleta seletiva se transforma em cestas de alimentos e brindes, que são sorteados mensalmente entre os empregados dos apartamentos e a equipe do prédio.
Para que o sistema funcione perfeitamente, cada andar conta, no lugar das antigas lixeiras, com cestas e caçambas - identificadas por figuras em cores e placas ilustradas - para separar o lixo orgânico do que é reciclável (vidros, metais, papéis etc.). Duas vezes por dia, funcionários do condomínio fazem a coleta nos andares, levando o material orgânico para as caçambas, que serão conduzidas ao local de retirada do lixo domiciliar pela Comlurb (empresa responsável pela coleta de lixo na cidade do Rio de Janeiro). Já os recicláveis seguem para o Recicletário.
Semanalmente, por conta de um convênio com uma empresa que coleta lixo reaproveitável, o material reciclável é comercializado e reaproveitado em indústrias especializadas. E é esse valor obtido que reverte para a compra de cestas de alimentos e de brindes. “Nos últimos três sorteios, foi possível adquirir 20 cestas de alimentos e seis brindes em cada um deles. Tudo graças ao empenho do pessoal para o sucesso do programa”, destaca Oliveira.
Segundo o síndico, ele e o administrador procuram incutir continuamente, tanto nas empregadas quanto nos funcionários, o sentido ecológico que a iniciativa da reciclagem propõe. “O sorteio é apenas um estímulo imediato, porém a preservação de nosso planeta é o objetivo mais importante de todo o programa. Os detritos acumulados aumentam a poluição do solo e das águas e pioram as condições de saúde da população, especialmente nas regiões menos desenvolvidas”, resume Oliveira, satisfeito com o sucesso da reciclagem.
A próxima meta do síndico é encaminhar para reaproveitamento o óleo de cozinha usado pelos moradores. Os envolvidos no processo estão empenhados, e o material é entregue à mesma empresa que coleta os demais recicláveis. Mas, no caso do óleo, não há contrapartida financeira. “Continuamos a insistir, até por coerência, já que há um sentido maior representado”, conclui.
Óleo de cozinha longe de esgotos e lixeiras
Elizabeth Sarmento é síndica, há apenas quatro meses, do edifício Bokor, no bairro de Laranjeiras. Mas, como ambientalista - é funcionária do Ibama no Parque Nacional da Tijuca - viu-se no dever (com todo o prazer) de dar o exemplo. E iniciou uma campanha, já a pleno vapor, para a coleta do óleo de cozinha usado nas 36 unidades do condomínio. O montante recolhido é entregue ao Disque-Óleo e retorna ao condomínio na forma de material de limpeza, que tem no próprio óleo usado uma de suas matérias-primas. “Despejado no esgoto ou no lixo comum, o óleo causa inúmeros malefícios a encanamentos, esgotos, água potável e água do mar. Ele é altamente poluente e colabora para o aquecimento global”, destaca a síndica.
Elizabeth vem atuando em várias frentes, mesmo com tão pouco tempo no cargo. Ela também está promovendo campanhas de utilização consciente da água e de energia elétrica, incentivando os moradores a não chamarem os dois elevadores quando estão ligados. “Como se fosse possível descer pelos dois, ao mesmo tempo.”
Mas uma das iniciativas da síndica pode ser classificada de, no mínimo, original. As paredes do prédio, os corredores principalmente, estão sendo alvo de uma megalimpeza. Para evitar que os funcionários tenham que descer à garagem a cada troca de água dos baldes, Elizabeth solicitou aos moradores que forneçam a água limpa, enchendo os baldes em seus apartamentos. Assim, os empregados não precisam utilizar os elevadores durante a limpeza. “Isso representa economia de luz, na manutenção dos elevadores e envolvimento dos moradores nas tarefas executadas pelos funcionários”, afirma ela.
Para o sucesso da empreitada, Elizabeth conta com um aliado de peso: seu porteiro chefe, José Palhanos Silva, é um ecologista nato. Há 13 anos trabalhando no condomínio, o paraibano diz que foi a vida toda contra o desperdício e a destruição e apóia todas as mudanças promovidas pela síndica, encarregando-se de motivar os funcionários. E comenta, com a sabedoria de quem já percebeu que as iniciativas pela preservação do planeta são para ontem: “Não sei por que estamos tão atrasados.”
Funcionários aprendem a transformar lixo em beleza
O lixo reciclável produzido no condomínio City Hall Business, edifício comercial no Centro da cidade de Niterói, já sai do prédio de cara nova. Bem mais bonita, diga-se de passagem. É que, por iniciativa do síndico Marcelo Sampaio, os 13 funcionários do condomínio aprenderam a reciclar as montanhas de papel que, diariamente, eram despejados no lixo comum. E isso foi só o começo.
No início de 2008, Sampaio contratou a professora Celi de Bragança, que há 30 anos transforma recicláveis em arte. Aproveitaram uma sala desativada do próprio condomínio e iniciaram as aulas, fazendo do espaço um ateliê que cria objetos a partir do lixo. Papéis de escritório, jornal e filtro de café foram os primeiros itens utilizados. “Em maio, montamos uma exposição para apresentar o trabalho e como uma ação de conscientização dos condôminos. Eles ficaram impressionados e compraram mais de 200 peças, entre porta-retratos de jornal e vasos decorativos”, comenta o síndico.
Os funcionários se uniram, e o ateliê se transformou numa cooperativa de reciclagem, que contou com a orientação da professora até novembro último. Praticamente se auto-sustentando, o grupo produziu a decoração de Natal do edifício com garrafas PET e vendeu várias guirlandas. O que não vira arte no ateliê é vendido num posto de coleta seletiva próximo ao prédio. “A reciclagem gerou estímulo aos funcionários e atua como uma terapia coletiva. Hoje eles se integram melhor no trabalho e ainda contam que ficaram mais próximos das famílias, pois os filhos pequenos ajudam quando levam algo para fazer em casa”, conta Sampaio, que pela iniciativa conquistou um segundo lugar no Prêmio Destaque Secovi Rio.
Saiba como embarcar nessa idéia
Gostou das idéias mas não sabe por onde começar as ações de reciclagem? A Comlurb dispõe de várias informações e dicas no site www.rio.rj.gov.br/comlurb e pelo serviço de teleatendimento 24 horas (2204-9999). Também é possível informar-se na gerência de atendimento da Comlurb em seu bairro. Para transformar o óleo de cozinha em produtos de limpeza, vale a pena conhecer o trabalho do Disque-Óleo Vegetal Usado (2260-3326 e 7837-9446), cujo site www.disqueoleo.com.br também fornece muitas informações.
A ilustração, que reproduz o folheto de coleta seletiva da Comlurb, esclarece quais produtos podem ser reaproveitados e quais devem ser encaminhados para a coleta domiciliar (ou “lixo comum”). O ideal é que cada morador já faça a separação do que é ou não reciclável em casa e que o condomínio tenha um espaço separado para guardar o que será encaminhado para a reciclagem, seja por meio da própria Comlurb ou em parceria com catadores ou cooperativas particulares.
No site da Comlurb é possível descobrir o dia de passagem do caminhão de coleta seletiva em sua rua, além de visualizar e imprimir cartilhas e folhetos explicativos. Ao todo, o serviço está presente em 42 bairros do Rio de Janeiro, e em alguns locais há um roteiro exclusivo para a coleta de pneus. Além de 46 roteiros percorridos pelo caminhão, há 128 ecopontos em bairros das Zonas Norte e Oeste que recebem entulho e material reciclável entregues voluntariamente pela população. A companhia também estimula que os próprios condomínios façam parcerias com os catadores do bairro, doando a eles os itens recicláveis. Segundo a Comlurb, atualmente, são recicladas 655,27 toneladas de lixo todo mês.
Fonte: Condomínios & Etc. - Por Viviane Marques


