Acidentes caseiros fazem vítimas em SL

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image SÃO LUÍS - O mês de janeiro tem sido marcado por um tipo de registro não muito comum nos livros do Instituto Médico Legal (IML): os acidentes domésticos tanto quanto as mortes violentas por acidentes de trânsito ou homicídios. Somente nos primeiros 22 dias deste ano, três pessoas morreram após algum tipo de acidente doméstico.

As vítimas foram duas crianças e um adulto. Diante do número de ocorrências, o Corpo de Bombeiros do Maranhão já planeja fazer ações educativas de prevenção de acidentes em bairros de São Luís.

O caso de maior repercussão ocorrido este ano aconteceu com o jornalista Fernando Cardoso Ferreira, o Fernando Formiga, de 27 anos, no dia 12 de janeiro. Ele caiu da cobertura do edifício onde morava, no bairro Olho d’Água. O acidente aconteceu quando o jornalista tirava fotos no alto do prédio.

Além de Formiga, foram vítimas de acidente considerado doméstico Sharly da Silva Froes, de 5 anos, que morava na Vila Isabel, e Kássyo Kelvin Costa Mota, de 1 ano, residente na Vila Embratel. Os dois morreram ao cair da laje de suas residências. Segundo o Corpo de Bombeiros, os acidentes aconteceram porque eles estavam brincando em local inadequado.

De acordo com o coordenador do Grupamento de Atividades Técnicas (GAT) - departamento responsável pela prevenção de acidentes-, coronel Célio Roberto Araújo, este tipo de acidente acontece porque a população muitas vezes não observa questões básicas de segurança.

“Em um condomínio, por exemplo, a pessoa não pode simplesmente limpar uma janela sem falar antes para o síndico. Em um prédio em que o síndico se preocupa com a segurança, uma pessoa nunca limpa uma janela sem estar amarrada pela cintura ou ter um ponto de ancoragem”, disse Roberto Araújo, que emendou: “Infelizmente, falta prevenção por parte da população”, assinalou.

O coronel recomendou que ações simples e que são feitas por pessoas comuns, como conserto de telhas, instalação de antenas televisivas em residências ou prédios, limpeza de janelas em lugares altos, devem ser feitas sempre por profissionais.

“Nestes casos, os profissionais devem ter os equipamentos básicos de segurança. Até porque, se eles não tiverem, estarão sujeitos a punição pela Delegacia Regional do Trabalho (DRT) por exercício irregular de profissão”, explicou Araújo. Outra recomendação para evitar acidentes é não deixar crianças perto de lugares altos e sem proteção.

Flagrante

Na manhã de ontem pela manhã, a equipe de reportagem de O Estado flagrou dois homens trabalhando em lugares altos sem equipamentos de segurança. Um deles estava consertando um telhado e outro, uma janela. “Eu não tenho medo de acidentes. Já trabalho desta forma há dois anos e nunca me aconteceu nada”, disse, displicente, o autônomo Cléssio Santos Sousa, de 25 anos, no bairro João de Deus. A outra pessoa flagrada, no bairro São Bernardo, não quis conceder entrevista e ainda rechaçou: “Se eu estou errado, este não é um problema que quero compartilhar em matéria de jornal”.

A costureira Isabel Brandão, de 43 anos, sabe dos riscos que uma simples laje sem proteção pode trazer. Sua casa está em reforma e não há batentes ou outro tipo de proteção na laje. Por isso, apenas seu filho mais velho, de 18 anos, tem acesso ao local. E, ainda assim, de forma esporádica. “Ele só vai lá para limpar o local e evitar acúmulo de água. Meus outros filhos mais novos nem passam perto da laje”, garantiu a costureira.

Diante da possibilidade de acidentes, o Corpo de Bombeiros deve fazer reuniões sistemáticas em bairros e, principalmente, em condomínios. A intenção é fazer palestras educativas sobre condições básicas de segurança.



Fonte: O Estado do Maranhão (imirante.com)




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